quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pesquisa joga luz sobre dependência do cigarro

Americanos descobriram que estruturas cerebrais têm papel importante no controle do desejo de consumir nicotina e podem ser alvos de terapias.

Em uma pesquisa que sugere um novo alvo para terapias contra o tabagismo, cientistas americanos identificaram uma via cerebral que regula a vulnerabilidade dos indivíduos às propriedades da nicotina que causam dependência.
A descoberta, feita por cientistas do Instituto de Pesquisa Scripps, na Flórida (EUA), foi publicada pela revista Nature. O trabalho examinou os efeitos de uma parte de um receptor, uma proteína à qual se ligam determinadas moléculas sinalizadoras, que responde à nicotina no cérebro. Os cientistas também determinaram que a tendência ao tabagismo pode ser herdada: mais de 60% do risco de se tornar dependente da nicotina pode ser atribuído a fatores genéticos.

Em experiências com animais, os pesquisadores descobriram que os indivíduos com uma mutação genética que inibe essa subunidade do receptor consumiram muito mais nicotina que o normal. Esse efeito pode ser revertido com o aumento da expressão da mesma subunidade.

"Esses dados estabelecem um novo cenário para a compreensão das variáveis que motivam o consumo de nicotina e das vias cerebrais que regulam a vulnerabilidade à dependência do tabaco", disse o coordenador do estudo, Paul Kenny.

O estudo se concentrou na subunidade alfa-5 do receptor de nicotina, em uma via do cérebro conhecida como trato habenulo-interpeduncular. A descoberta sugere que a nicotina ativa os receptores que contêm essa subunidade na habênula, desencadeando uma resposta que atua para diminuir o desejo de consumir mais a droga. "Não era esperado que a habênula e as estruturas cerebrais nas quais ela se projeta tivessem um papel tão profundo no controle do desejo de consumir nicotina", disse a pesquisadora Christie Fowler. Os resultados, de acordo com ela, podem explicar dados recentes que mostram como indivíduos com variação genética na subunidade alfa-5 do receptor nicotínico são muito mais vulneráveis à nicotina e mais propensos a desenvolver doenças associadas ao fumo.

As informações são da Agência Fapesp.

Parando de fumar. Outra pesquisa, feita na Universidade de Michigan (EUA) e publicada na revista Health Psychology, sugere que a atividade cerebral pode ajudar a avaliar a determinação de um fumante em largar o cigarro.

O estudo foi feito por meio de análises de tomografias de 28 fumantes que tentam abandonar o vício. As imagens registraram uma região do córtex vinculada às mudanças de comportamento enquanto os voluntários eram expostos a mensagens sobre deixar de fumar.

O resultado foi que as pessoas cujo cérebro manifestava mais atividade durante a difusão das imagens estavam significativamente mais inclinadas a reduzir o fumo. / COM AFP

Fonte:
O Estado de S.Paulo

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Número de fumantes nas empresas volta a crescer


Pela primeira vez em sete anos, o número de trabalhadores fumantes aumentou nas empresas brasileiras.

Em 2010, eles representavam 9,5% dos funcionários -em 2009, eram 8,1%, segundo levantamento realizado pela seguradora SulAmérica Seguros com 74 mil trabalhadores em todo o país.
Apesar de baixo, o incremento sinaliza uma mudança de tendência. De 2004 a 2009, a pesquisa registrou somente quedas na taxa de fumantes das empresas.

Para o diretor de saúde da seguradora, Roberto Galfi, o aumento se deve à economia aquecida, que permitiu a formalização e a maior contratação de trabalhadores com perfil diferente -com menos escolaridade e de classes mais pobres, grupos que concentram mais fumantes.

Segundo o Ministério da Saúde, a maior parcela de fumantes da população brasileira (19,3%) tem de zero a oito anos de estudo.

Fumante, a produtora de eventos Camila Souza, 27, teve o seu primeiro emprego formal em 2010. "Se eu pudesse fumar na minha mesa, fumaria o dia inteiro", reclama ela, sobre a Lei Antifumo de São Paulo, que proíbe o tabagismo dentro de empresas desde 2009.
FONTE:FOLHA DE SÃO PAULO

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Além do vício em tabaco, nicotina é responsável por desenvolver câncer de mama



Fumar pode dar origem a vários tipos de câncer, isso não é novidade. Mas isso não acontece apenas devido aos danos que a fumaça do cigarro causa à mucosa pulmonar e ao sangue que passa por ele, como se pensava. Um novo estudo da Universidade Médica de Taipei (Taiwan),descobriu que a nicotina, ao se combinar com seu receptor (acetilcolina) faz mais do que promover o vício: influencia diretamente a formação de câncer de mama.

Assim, a nicotina se torna um vilão ainda mais nocivo do que já era, já que cumpre o papel duplo de agente viciador/cancerígeno. Para o câncer de mama, em particular, alguns grandes estudos epidemiológicos recentes têm sugerido que a relação com tabagismo é mais forte do que se pensava, mas tais pesquisas não foram acompanhadas de estudos de biologia molecular sobre a forma como isso funciona de fato.

Buscando estas respostas, os pesquisadores de Taiwan analisaram 276 amostras de tumor do câncer de mama, de doadores voluntários, para ver os efeitos que as sub-unidades da acetilcolina (um neurotransmissor) apresentavam no desenvolvimento de células cancerígenas na mama. Eles descobriram que o surgimento de tais células, via de regra, são uma resposta a mudanças químicas na acetilcolina. Como este neurotransmissor é alterado principalmente quando funciona como receptor da nicotina, a relação é direta.

Os autores do estudo, no entanto, pedem que não se tirem conclusões definitivas, devido à limitação do estudo. Pesquisas recentes mostram que a genética recepciona o tabaco de diferentes formas entre as raças humanas, e esta pesquisa analisou apenas pacientes asiáticas. De qualquer forma, os cientistas afirmam que a chave para se descobrir mais sobre o câncer está em estudos como este: que utilizem a biologia molecular, um campo ainda em desenvolvimento.



Fonte: Science Daily e site Hype Science

Além do vício em tabaco, nicotina é responsável por desenvolver câncer de mama



Fumar pode dar origem a vários tipos de câncer, isso não é novidade. Mas isso não acontece apenas devido aos danos que a fumaça do cigarro causa à mucosa pulmonar e ao sangue que passa por ele, como se pensava. Um novo estudo da Universidade Médica de Taipei (Taiwan),descobriu que a nicotina, ao se combinar com seu receptor (acetilcolina) faz mais do que promover o vício: influencia diretamente a formação de câncer de mama.

Assim, a nicotina se torna um vilão ainda mais nocivo do que já era, já que cumpre o papel duplo de agente viciador/cancerígeno. Para o câncer de mama, em particular, alguns grandes estudos epidemiológicos recentes têm sugerido que a relação com tabagismo é mais forte do que se pensava, mas tais pesquisas não foram acompanhadas de estudos de biologia molecular sobre a forma como isso funciona de fato.

Buscando estas respostas, os pesquisadores de Taiwan analisaram 276 amostras de tumor do câncer de mama, de doadores voluntários, para ver os efeitos que as sub-unidades da acetilcolina (um neurotransmissor) apresentavam no desenvolvimento de células cancerígenas na mama. Eles descobriram que o surgimento de tais células, via de regra, são uma resposta a mudanças químicas na acetilcolina. Como este neurotransmissor é alterado principalmente quando funciona como receptor da nicotina, a relação é direta.

Os autores do estudo, no entanto, pedem que não se tirem conclusões definitivas, devido à limitação do estudo. Pesquisas recentes mostram que a genética recepciona o tabaco de diferentes formas entre as raças humanas, e esta pesquisa analisou apenas pacientes asiáticas. De qualquer forma, os cientistas afirmam que a chave para se descobrir mais sobre o câncer está em estudos como este: que utilizem a biologia molecular, um campo ainda em desenvolvimento.



Fonte: Science Daily e site Hype Science

Além do vício em tabaco, nicotina é responsável por desenvolver câncer de mama


Fumar pode dar origem a vários tipos de câncer, isso não é novidade. Mas isso não acontece apenas devido aos danos que a fumaça do cigarro causa à mucosa pulmonar e ao sangue que passa por ele, como se pensava. Um novo estudo da Universidade Médica de Taipei (Taiwan),descobriu que a nicotina, ao se combinar com seu receptor (acetilcolina) faz mais do que promover o vício: influencia diretamente a formação de câncer de mama.
Assim, a nicotina se torna um vilão ainda mais nocivo do que já era, já que cumpre o papel duplo de agente viciador/cancerígeno. Para o câncer de mama, em particular, alguns grandes estudos epidemiológicos recentes têm sugerido que a relação com tabagismo é mais forte do que se pensava, mas tais pesquisas não foram acompanhadas de estudos de biologia molecular sobre a forma como isso funciona de fato.

Buscando estas respostas, os pesquisadores de Taiwan analisaram 276 amostras de tumor do câncer de mama, de doadores voluntários, para ver os efeitos que as sub-unidades da acetilcolina (um neurotransmissor) apresentavam no desenvolvimento de células cancerígenas na mama. Eles descobriram que o surgimento de tais células, via de regra, são uma resposta a mudanças químicas na acetilcolina. Como este neurotransmissor é alterado principalmente quando funciona como receptor da nicotina, a relação é direta.
Os autores do estudo, no entanto, pedem que não se tirem conclusões definitivas, devido à limitação do estudo. Pesquisas recentes mostram que a genética recepciona o tabaco de diferentes formas entre as raças humanas, e esta pesquisa analisou apenas pacientes asiáticas. De qualquer forma, os cientistas afirmam que a chave para se descobrir mais sobre o câncer está em estudos como este: que utilizem a biologia molecular, um campo ainda em desenvolvimento.
Fonte: Science Daily e site Hype Science

domingo, 9 de janeiro de 2011

A crise de abstinência de nicotina

Tinha até esquecido o quanto sofre o fumante para largar do cigarro. Parei há 23 anos e já não me lembrava das agruras pelas quais passei até ficar livre da dependência de nicotina que me escravizou durante 19 anos. Ao gravar uma série para a TV com seis personagens que pararam de fumar num mesmo dia, no entanto, revivi meu sofrimento e pude observar as dificuldades dos dependentes diante da crise de abstinência de nicotina.

O cigarro nada mais é do que um dispositivo para administrar droga. A nicotina inalada com a fumaça é rapidamente absorvida pelos alvéolos pulmonares, cai na circulação e chega ao cérebro num intervalo de seis a dez segundos. Inalada, chega mais depressa do que se tivesse sido injetada na veia, porque não perde tempo na circulação venosa. A velocidade com que a droga chega ao sistema nervoso central explica por que a primeira tragada traz alívio imediato ao fumante aflito.
No tecido cerebral, a nicotina se liga a receptores localizados nas membranas dos neurônios localizados em vários centros cerebrais. A integração desses circuitos é responsável pela sensação de prazer que os dependentes referem sentir ao fumar - e que os não-fumantes são incapazes de entender.

A droga é de excreção rápida. Sua meia-vida é curta: duas horas, em média. Isto é, metade da dose fumada é eliminada da circulação em duas horas. Por razões genéticas, essa velocidade de excreção varia de um fumante para outro; os que eliminam a droga mais depressa tendem a fumar mais. Grande parte dos que fumam dois ou três maços por dia é constituída por metabolizadores rápidos de nicotina.

A presença de outras drogas na circulação pode alterar a velocidade de excreção. É o caso do álcool, substância na qual a nicotina se dissolve com muita facilidade. Como o álcool é diurético, ao beber, o fumante excreta rapidamente na urina a nicotina nele dissolvida. A queda da concentração da droga no sangue desencadeia o desejo irresistível de fumar.

Viciados em nicotina, os neurônios do centro que integra as sensações de prazer, ao sentirem seus receptores vazios dela, estimulam outros circuitos de neurônios, que convergem para o chamado centro da busca. Esse centro é responsável por induzir alterações comportamentais com a intenção de nos obrigar a repetir ações que anteriormente nos trouxeram prazer: sexo, comida, temperatura agradável para o corpo, etc.

Uma vez que os centros do prazer ativam o centro da busca, este não pode ser mais desativado. O centro da busca permanecerá ativado mesmo que o prazer responsável por sua ativação deixe de existir. Por isso o fumante se surpreende ao acender um cigarro no toco do outro, o usuário de cocaína continua cheirando apesar do delírio persecutório que experimenta toda vez que usa a droga, e o jogador compulsivo é capaz de perder a casa da família em cima do pano verde.
Informados da falta de nicotina, os neurônios do centro da busca lançam mão de sua mais poderosa arma de persuasão comportamental: a ansiedade crescente. Tomado pela vontade de fumar, o fumante perde a tranqüilidade, fica agitado, nervoso e não consegue se concentrar em mais nada. Para ele, não existe felicidade possível sem o cigarro.

Como a nicotina é droga de excreção rápida, essas crises de ansiedade se repetem muitas vezes por dia. Para evitá-las, o fumante vive com o maço ao alcance da mão para acender um cigarro assim que surgirem os primeiros sinais, porque sabe que a intensidade dos sintomas da crise é crescente, insuportável. O cérebro aprende, então, que ansiedade e nicotina estão indissoluvelmente ligadas. Daí em diante, todo acontecimento que provocar ansiedade será interpretado por ele como resultante da ausência de nicotina. Por isso os fumantes levam imediatamente um cigarro à boca ao menor sinal de ansiedade ou diante da emoção mais rotineira. Por isso dizem que o cigarro os acalma.

O curto-circuito de prazer que a nicotina arma entre os neurônios provoca uma dependência química de forte intensidade, enfermidade cerebral crônica e recidivante. Para tratá-la, é preciso ensinar o cérebro novamente a funcionar como fazia antes de entrar em contato com a droga. Tal empreitada significa enfrentar a abstinência de nicotina, que se manifesta em crises repetitivas, muito mais intensas, desagradáveis e difíceis de suportar do que aquelas provocadas por drogas como cocaína, crack, maconha, ou álcool.

Os primeiros dois dias sem fumar são os piores. As crises se sucedem uma atrás da outra até atingirem freqüência e duração máximas em 48 horas. Nesse período, as manifestações incluem irritação, ansiedade, tremores, sudorese fria nas mãos, fome compulsiva, modificação do hábito intestinal, alterações da arquitetura do sono (insônia ou hipersônia), dificuldade extrema de concentração e alternância de episódios de apatia com outros de agressividade comportamental.
A partir do terceiro dia, a freqüência das crises e a intensidade dos sintomas começam a diminuir gradativamente, dia após dia. À medida que as semanas se sucedem, o desejo de fumar continua a manifestar-se, mas vai embora cada vez mais depressa.

Em média, seis meses depois de parar de fumar, a maioria dos ex-fumantes já consegue passar um ou outro dia sem se lembrar da existência do cigarro. Os neurônios começam a ficar livres da dependência que os sucessivos impactos diários de nicotina causaram em seus circuitos. É a liberdade do cérebro, que, para ser mantida, exige o preço da eterna vigilância, porque a doença é traiçoeira, crônica e recidivante.

Fonte:Dr Drauzio varella

domingo, 19 de dezembro de 2010